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VACINAÇÃO

Informações e Recomendações
 

Vacinas são muito importantes sim, mas o Brasil passa por um modismo de supervacinação, um pensamento do tipo "quanto mais vacinas, melhor"... uma conduta um tanto perigosa! O excesso de vacinas faz mal, por isso informe-se e exija do veterinário um protocolo vacinal individualizado para o seu cão ou gato, sem excessos desnecessários.

Entre os cães, é sabido que o Weimaraner (raça que crio), assim como as raças Akita, Cocker Spaniel Americano, Pastor Alemão, Golden Retriever, Setter Irlandês, Dogue Alemão, Dachshund/Teckel, Poodle, Old English Sheepdog, Scottish Terrier, Pastor de Shetland, Shih Tzu e Vizsla, tem uma maior suscetibilidade a reações vacinais - leia o texto sobre reações vacinais em Weimaraners AQUI. E quando fala-se em reação vacinal, normalmente lembramos somente de reações imediatas, como letargia ou febre no dia da vacina. Mas há reações vacinais tardias, como por exemplo a dolorida osteodistrofia hipertrófica juvenil, uma reação vacinal tardia que pode ocorrer nas raças citadas. Há também estudos relacionando uma piora no quadro de displasia coxofemoral em cães supervacinados.

Alguns profissionais, cedendo ao marketing dos fabricantes, tratam vacinas como se fossem inócuas e  passam esse pensamento equivocado ao proprietário do animal. Eu, como médica veterinária, já vi alguns tristes casos de cães idosos (que foram vacinados todos os anos, durante toda a vida), com patologias sérias controladas mas que "desandaram" após um simples reforço vacinal.

Informações relevantes:

- Uma vacina contém antígenos, isto é, o vírus causador da doença (geralmente atenuado e/ou modificado) e por se tratar de material biológico, sua qualidade e eficácia dependem diretamente do correto armazenamento em temperatura controlada (vacinas em porta de geladeira ou em geladeira sem termômetro, nem pensar!!). Leia sobre conservação de vacinas AQUI.

- Uma vez que uma aplicação de vacina significa aplicar o vírus atenuado no animal, dependemos totalmente do sistema imunológico dele para chegar ao objetivo, que é a proteção, certo? Para que tenhamos maiores chances de uma resposta satisfatória do sistema imune (produção de anticorpos e consequente proteção contra a doença) é importante que o animal esteja absolutamente saudável ao receber qualquer vacina. Não abra mão do exame clínico (feito pelo veterinário) antes da vacinação.

- A duração da imunidade conferida pelas principais vacinas aplicadas durante os 2 primeiros anos de vida do animal é de, normalmente, muito mais do que 1 ano. Isso mesmo, se eu vacinar direitinho um filhote e revaciná-lo após 1 ano, muito provavelmente ele estará devidamente protegido contra certas doenças por alguns anos. Então, por que vacinar massivamente todo ano, e pior, contra doenças que ele nem corre o risco de contrair, enquanto é perfeitamente aceito e comprovado que vacinar a cada 2 ou 3 anos é suficiente, eficaz e ético?

- Existem vacinas realmente necessárias, em inglês chamadas de vacinas "core" (por exemplo: Cinomose e Parvovirose), e existem vacinas "non core" (por exemplo: Leptospirose), necessárias somente para animais em que a localização geográfica, ambiente ou estilo de vida representem risco de contrair as doenças que se propõem a proteger. Cada caso é um caso, portanto cabe ao veterinário a escolha do protocolo vacinal mais adequado para cada animal.
 

Abaixo o protocolo vacinal que recomendo para filhotes de mães saudáveis e vacinadas, pensando em uma imunização eficaz e consciente:
 
Idade do Filhote Vacina
50 a 60 dias (2 meses) 1ª dose: V2 (Nobivac Puppy)
80 a 90 dias (3 meses) 2ª dose: V2, V6 ou V8
110 a 120 dias (4 meses) 3ª dose: V2, V6 ou V8
140 a 150 dias (5 meses) Vacina contra Raiva
1 ano e 4 meses Reforço V2, V6 ou V8
1 ano e 5 meses Reforço vacina contra Raiva
Posteriormente, o reforço a cada 2 ou 3 anos geralmente é suficiente.*

* Considerações importantes:

- Para ter certeza se seu cão está protegido ou se há necessidade de reforço vacinal, existe um teste sorológico chamado Vaccicheck, desenvolvido para identificar o nível de anticorpos (proteção) contra os vírus da Cinomose canina, Parvovirose canina e Hepatite infecciosa, que são as vacinas classificadas como essenciais.

- Caso seu cão viaje sempre, será necessário vacinar contra raiva anualmente conforme a legislação brasileira, se não, prefira reforços bienais ou trienais (estudos científicos mostram que um cão vacinado entre 4-6 meses e que tenha recebido o reforço após 1 ano, normalmente estará protegido contra raiva por 3 a 5 anos). Em caso de dúvidas, basta solicitar uma titulação de anticorpos.

- A vacina contra raiva deve ser aplicada separadamente das outras vacinas, com intervalo de 3 a 4 semanas pelo menos, para minimizar o risco de reações adversas, muito comuns em cães de porte pequeno e nas raças citadas anteriormente. Prefira sempre vacinar com um veterinário de confiança e que possa fazer um acompanhamento, muito importante quando ocorrem reações à vacina, ao invés de vacinar em campanhas.

- A V6 não contém a fração contra leptospirose, sabidamente a mais alergênica.

- Um filhote que mora onde há risco de leptospirose deverá ser vacinado com a V8 ao invés da V6, e posteriormente precisará ser submetido à vacina específica para esta doença, que deve ser repetida a cada 6 meses (por se tratar de doença causada por bactéria, a imunidade não dura mais do que isso) ou anualmente, pouco antes da época de chuvas (caso seja esse o período de risco, quando ocorrem enchentes).

- Para proteger seu cão contra leptospirose, leishmaniose visceral canina ou "tosse dos canis", caso ele viva em área onde essas doenças sejam endêmicas, existem vacinas exclusivas contra cada uma delas, que deverão ser aplicadas conforme orientação do veterinário. As vacinas contra essas doenças não proporcionam imunidade prolongada, portanto os reforços deverão ser semestrais (caso da leptospirose) ou anuais.
 

Além do texto transcrito mais abaixo, não deixe de ler também:

Vacinas: Novas diretrizes vacinais para cães - uma abordagem técnica e ética
(artigo científico em português - link para arquivo em PDF)

http://www.cachorroverde.com.br/index.php/category/outrosassuntos/vacinacao-outrosassuntos/
(em português)

http://www.wsava.org/guidelines/vaccination-guidelines
(em inglês)

http://www.dogs4dogs.com/shots
(em inglês)

http://www.dogs4dogs.com/JR_Articles/Breeds at Vaccine Risk.htm
(em inglês)
 

CALENDÁRIO VACINAL PARA CÃES RECOMENDADO PELA DRA. JEAN DODDS

Texto original em inglês: http://www.weim.net/emberweims/Vaccine.html
Tradução: Camilli Chamone (http://www.blog.villechamonix.com/2010/02/rompendo-paradigmas-antigos-sobre.html)

Vacinas não recomendadas para cães

Há dois tipos de vacinas: vacinas com vírus vivos modificados (MLV) e vacinas com vírus mortos.

Calendário vacinal

Há muita controvérsia acerca dos calendários de imunização, especialmente com a ampla disponibilidade de vacinas com vírus vivos modificados (MLV) e as experiências de reações pós-vacinas que muitos criadores enfrentaram, utilizando essas vacinas. Também é importante não começar um programa de vacinação enquanto os anticorpos maternos ainda estão circulantes e presentes no filhote, advindos do colostro da mãe. Os anticorpos maternos identificam as vacinas e os organismos infecciosos da mesma maneira, destruindo-os antes que possam estimular uma resposta imune.

Muitos criadores e proprietários têm procurado um programa de seguro de imunização.


Vacinas com vírus vivos modificados (MLV)

Vacinas com vírus vivos modificados possuem cepas "enfraquecidas" do agente causador da doença. O "enfraquecimento" do agente é normalmente realizado por meio químico ou através da engenharia genética. Essas vacinas replicam dentro do hospedeiro, aumentando assim a quantidade de material disponível para provocar uma resposta imune sem provocar a doença clínica. Esta estimulação provoca uma resposta vigorosa do sistema imune. Além disso, a imunidade conferida por uma vacina viva modificada desenvolve-se bastante rapidamente e uma vez que eles imitam a infecção com o agente da doença real, proporciona uma ótima resposta imune.


Vacinas inativadas (mortas)

As vacinas inativadas contem os agentes causadores da doença mortos. Como o agente está morto, a vacina é muito mais estável e tem uma vida útil mais longa, não há possibilidade de reverter a virulência e não se propagarão a partir do animal vacinado para outros animais. Também é segura para animais gestantes (o feto em desenvolvimento pode vir a ser prejudicado por alguns dos agentes da doença, embora atenuada, presente na formulação de vacinas atenuadas). Embora seja sempre necessária mais do que uma dose e a duração da imunidade seja, geralmente, mais curta, as vacinas inativadas podem ganhar importância nesta época de proliferação de retrovírus e infecções por herpes e preocupações com a segurança na utilização dos microorganismos geneticamente modificados. As vacinas inativadas disponíveis para uso em cães incluem raiva, parvovirose canina, coronavírus canino, etc.


W. Jean Dodds, DVM
HEMOPET
938 Stanford Street
Santa Monica, CA 90403
310/ 828-4804
fax: 310/ 828-8251


Nota: Este calendário é o que eu recomendo e não deve ser interpretado no sentido de que outros protocolos recomendados por um veterinário seriam menos satisfatórios. É uma questão de julgamento profissional e escolha. Para raças ou famílias de cães suscetíveis ou afetadas com disfunção imune, doença imunomediada, reações imunes associadas com a vacinação ou doença endócrina autoimune (tireoidite, Addison ou doença de Cushing, diabetes, etc.) o protocolo acima é recomendado.

Após 1 ano, faça a titulação sérica de anticorpos específicos contra agentes infecciosos de cães, como cinomose e parvovirose. Isto é especialmente recomendado para os animais que tenham sofrido de reações adversas à vacina ou de raças com maior risco para tais reações (por exemplo, Weimaraner, Akita, American Eskimo, Dogue Alemão).

Outra alternativa à vacinação de reforço são nosodes homeopáticos. Essa opção é considerada um tratamento não convencional, que não tem eficácia científica comprovada. Um estudo controlado com nosodes da parvovirose não protegeu adequadamente filhotes em condições de desafio. No entanto, dados da Europa e da experiência clínica na América do Norte suportam a sua utilização. Se seu veterinário optar por nosodes homeopáticos, seus clientes devem ser esclarecidos e um consentimento formal deve ser fornecido.

Eu utilizo apenas vacinas com vírus mortos para vacinas antirrábicas e faço a aplicação com 3-4 semanas de diferença entre outras aplicações de vacinas. Em alguns estados da América do Norte, a titulação substitui a vacinação, quanto aos aspectos legais.

Eu NÃO uso vacinas contra Bordetella, coronavírus, leptospirose ou Lyme a menos que estas doenças sejam endêmicas no local onde o cão vive. Além do mais, as vacinas licenciadas contra leptospirose não contém os sorovares que causam a maioria da leptospirose clínica hoje.

Eu não recomendo vacinar cadelas durante o cio, gestação ou aleitamento.

W. Jean Dodds, DVM
HEMOPET

Texto original em inglês: http://www.weim.net/emberweims/Vaccine.html
Tradução: Camilli Chamone (http://www.blog.villechamonix.com/2010/02/rompendo-paradigmas-antigos-sobre.html)

 

Dra. Kathleen Schwab - Telefone e WhatsApp: (11) 9-7992-7925 - E-mail: vetkath@gmail.com

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